quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Estigmatizados, solteiros sofrem para provar que não são solitários, infelizes e encalhados


Solteiros sofrem. Não de solidão, mas com o preconceito. É o "solteirismo", no termo cunhado por Bella DePaulo, psicóloga social da Universidade da Califórnia com quase seis décadas de solteirice invicta. "Basta dizer que você é solteiro a alguém que acabou de conhecer que, em geral, a pessoa pensa que sabe muito sobre você. Que entendem suas emoções", escreve DePaulo no livro "Singled Out" (sem versão em português).

Na imaginação de quem não compreende o solteiro, poucas presunções são lisonjeadoras: "Quem não se casa só pode ser um solitário soturno" ou "No fundo, só quer encontrar alguém". Mais: o solteiro é egoísta, imaturo, incapaz de assumir compromissos e só pensa em diversão. Ou é seletivo demais, intolerante, promíscuo, frívolo, suspeito ou encalhado. Nada poderia estar mais distante da realidade. Ser solteiro não é necessariamente falta de opção. Nem é sinônimo de solidão. Pode significar mais contato com pais e amigos, mais dedicação ao trabalho, mais realizações pessoais. 

É possível ser feliz sozinho?

Resultado parcial
Nem solteirão, nem casado
Esqueça as palavras solteiro e casado. "Elas estão se tornando muito limitadas para descrever a gama de opções e comportamentos possíveis para estar ou não com alguém", diz Sergio Savian, terapeuta e escritor especializado em relacionamentos. De que forma classificar como casadas ou solteiras, por exemplo, pessoas com um envolvimento sério, mas que não moram na mesma casa nem tenham assinado papéis? Esse é o caso da gestora de mídias sociais Maria Eugênia Mourão. Aos 43 anos, ela já se casou formalmente com três homens. Informalmente, com outros dois. "As pessoas têm muito medo de abrir mão do que elas têm e acabarem sozinhas. Mas eu, não. Não consigo continuar um casamento se amar outro", diz.
Hoje, Eugênia está feliz em um relacionamento estável --ele na casa dele, ela na casa dela. "O que acho mais divertido é que muita gente acaba achando que nós somos gays. Procuram um padrão --e, para quem não está casado, outro padrão é ser homossexual", diz Eugênia. "Acontece que, para mim, não há uma regra fixa. É circunstancial. O que tenho que procurar é o meu bem-estar e o do outro. No momento, a gente está superbem. Se nos casarmos, não vai ser para calar a boca dos outros. Vai ser uma decisão autônoma."
Para a psicóloga Marcella Almeida, assim deve ser um relacionamento: negociado pelas duas partes. "Eu tenho filhos. Mas acho encantador quando um casal escolhe não morar junto ou ter filhos, pois demonstra um respeito mútuo muito grande. Não coloca no outro a responsabilidade pela sua felicidade", diz Almeida. 
Família, família
A engenheira paulistana Ana (que preferiu não publicar seu nome real) é solteira --e não por opção. "Só não achei o cara certo. No máximo tive um rolinho de seis meses. Aos 32 anos, a gente vai se decepcionado, endurecendo com as experiências anteriores", diz. Mas ela não é uma pessoa solitária. Sempre está acompanhada de amigos. Só tem um problema: a família. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário