sexta-feira, 15 de março de 2013

O outro lado do prazer

Sexo anal precisa de intimidade. Aqui, tudo o que você precisa saber sobre o assunto.

 

Sexo anal
O prazer do sexo anal
Foto: Reprodução revista Women`s Health

Meio sem querer, ele deixa escapar um dedo bobo. Num beijo caprichado no seu derrière, a língua encontra o caminho dos fundos, que passa a ser o centro da atenção dele. Mais cedo ou mais tarde, seu amado irá propor essa variação sexual. Você até aceita as carícias e tem gostado das novas sensações. Mas treme da cabeça aos pés ao cogitar fazer sexo anal? Medo, constrangimento, dor. Esses são os motivos pelos quais a maioria não quer nem ouvir falar, e a constatação é científica. O Instituto Paulista de Sexualidade fez uma pesquisa sobre o assunto com universitárias entre 18 e 30 anos: 87% delas declararam que não gostam, mas fazem para satisfazer o parceiro.

Para saber a opinião da ala masculina, entrevistamos 268 homens da mesma faixa etária. Para nossa surpresa, 72% levantam a bandeira do sexo pela ala de trás. Entre eles, 34% ainda não conseguiram convencer a parceira, 27% tentam aperfeiçoar suas técnicas e 11% já têm como prática rotineira de seu repertório sexual.

Mas por que tantas mulheres torcem o nariz para o sexo anal? De acordo com a psicoterapeuta sexual Fernanda Robert, da PUC de São Paulo, o sexo anal sempre foi associado à pornografia e à prostituição. Foi — no passado! Assim como fazer sexo antes do casamento era carimbar o passaporte para o inferno. Há 50 anos, era impensável a mulher sair de casa para trabalhar ou encarar um divórcio. Atualmente, ela está cada vez mais independente e segura quanto às suas conquistas e escolhas.

Por que com o sexo seria diferente?
Essa pode ser uma boa aposta para apimentar suas relações. “Por ser cheio de terminações nervosas, que vão do períneo ao clitóris, o ânus pode proporcionar momentos de muito prazer”, diz a ginecologista Mariana Maldonado, coautora do livro Palavra de Mulher: Histórias de Amor e Sexo (Ed. Integrare, 216 págs., R$ 35,90). Preparamos esta reportagem para você leitora que nunca nem pensou no assunto tenha as informações necessárias para continuar com o não ou dar uma chance ao sim. Para as curiosas, nunca é demais ler as regras do jogo antes de começar a brincadeira. E, claro, se você é descolada no assunto, nossas desculpas por chover no molhado. Mas vai que descobre aqui algo que ainda não sabia?
Você como protagonista
Quando seu parceiro faz um carinho lá atrás, suas pernas ficam bambas, calafrios percorrem de cima a baixo, você perde o fôlego, a pele fica em brasas? Se respondeu sim a um item, é seu corpo dando indícios de que pode ser muito prazeroso. Porém, se o corpo pede mas sua cabeça nega, é importante saber o que a trava bem
na hora H.

Esqueça tudo o que você viu sobre o assunto em filmes, internet ou com as fofocas de suas amigas. Não, você não precisa copiar o desempenho das atrizes pornôs nem ser a mais desinibida na cama. Basta estar a fim. De verdade. Porque tudo o que você não deve é ceder aos apelos do parceiro só para satisfazê-lo — mesmo que a gente saiba que sexo anal é considerado um tesouro a ser conquistado, uma espécie de prêmio de caça.

Item obrigatório
Fazer sem camisinha, nem pensar! Toda relação sexual sem preservativo tem riscos, e com o sexo anal não seria diferente. De acordo com o proctologista Rubens Barreto, quando ocorre alguma fissura, esse pequeno machucado se torna uma porta de entrada para bactérias e vírus. Com a região vulnerável, seu corpo fica exposto a doenças sexualmente transmissíveis.

Para o seu parceiro, fazer uma penetração sem camisinha causa infecções no pênis por causa da quantidade de bactérias que habitam o canal do reto. O mesmo pode acontecer com você, caso ele não troque a camisinha quando sair do sexo anal para o vaginal. As bactérias da flora intestinal agridem as paredes da vagina, resultando em infecções. Deixe um pequeno estoque à mão para não quebrar o clima ao ter que sair da cama em busca de preservativo e não correr o risco de pensar “Dane-se” se estiver subindo pelas paredes.
 Se você não se abala, não sente nem cócegas quando recebe um carinho no derrière, talvez não seja mesmo a sua praia. E você tem todo o direito de recusar. Mas, se seu problema é só medo, é achar que sexo anal dói como arrancar um dente sem anestesia, talvez seja uma questão de reavaliar esse mito.

Faça a escalação
Para as iniciadas, o clima rola mais fácil, seja qual for o parceiro. Para uma primeira vez, vale uma boa dose de caretice e outra de praticidade com o eleito: deixe para fazer com o namorado, o marido ou aquele amigo com benefícios com quem você tenha muita intimidade. “O sexo anal demanda paciência, pode ser desconfortável para a mulher se o parceiro não tiver carinho na hora da penetração”, explica a sexóloga Carla Cecarello, coordenadora do Projeto AmbSex, de São Paulo. Sem contar que, caso haja algum imprevisto, um parceiro mais chegado irá entender se você quiser mudar de lado.

Vamos encarar a coisa: a experiência pode passar de prazerosa a traumática em um estalar de dedos. Ainda que você seja superdesinibida e transar de primeira não seja nenhum bicho de sete cabeças, tudo muda quando você vai experimentar o novo. O cara na balada, por mais irresistível que seja, talvez não tenha experiência suficiente para deixá-la totalmente relaxada ou paciência para esperar a melhor hora. E aí, com toda a sinceridade, é dor na certa. Ou física ou emocional — porque você ainda corre o risco de ele nunca mais dar o ar da graça e bater uma ressaca moral horrorosa no dia e na semana seguintes.

Tamanho não é documento
Você deve pensar: duvido. Mas é verdade. Não há nenhum impedimento com aqueles que têm tamanho GG. Nem vai causar problemas fisiológicos à sua retaguarda. A relação só vai ser dolorida se você não estiver completamente relaxada, pois elasticidade há para ele entrar. Com todos os tamanhos, larguras e tipos de pênis, o sexo anal deve ser feito com calma. “No começo, a mulher pode optar por penetrar apenas a glande. Assim que se sentir confortável para ir mais além, ela dá sinal verde tanto para penetrar mais fundo como para fazer o movimento vaivém”, revela Carla Cecarello. Tente aos poucos: num dia, só a glande. No outro, um tiquinho mais fundo. Num terceiro, um pouco de rebolado. Vá gradualmente até se sentir confortável e se acostumar com o tamanho do seu brinquedinho.
Tire esta neura
Quando você viu o tema da reportagem, pode ter pensado em hemorroidas ou fissuras. Relaxe. Mesmo! “Isso não faz sentido. Tanto que existe um tratamento contra hemorroidas em que se dilata o ânus com anestesia. Essa técnica foi criada em 1969 e, com algumas modificações, é efetuada até hoje”, diz o proctologista Rubens Barreto, do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. O que pode, sim, acontecer é a dilatação do esfíncter (o músculo que faz as contrações anais), ocasionando perda de sensibilidade até leve incontinência urinária. Porém, isso pode acontecer quando o sexo anal é praticado com bastante frequência. “Quando é esporádico, não há dano algum”, completa o especialista.

Quanto às fissuras, elas serão comuns se a lubrificação não for suficiente para a penetração. O atrito da pele pode lesionar o local e causar ardência, que pode ser curada com pomadas de uso tópico. Por isso, lambuze bem o seu ânus e o brinquedinho do seu amado com lubrificantes à base de água, facilmente encontrados em farmácias e drogarias, e curta uma nova forma de prazer sem efeitos colaterais.

Olla Gel Hypermarcas, 50 g, R$ 7,75, tel. 0800 0111145) Não é gorduroso, tem fácil remoção e pode ser aplicado sobre o preservativo.

K-Y Warming (Johnson & Jonhson, 71 g, R$ 16, tel. 0800 7036363) Esquenta ao contato com a pele. Não contém espermicida e é hipoalergênico.

Preserv Blausiegel, 40 g, R$ 8,50, tel. [11] 4615 9400) Lubrificante incolor e inodoro, não mancha a roupa e sai facilmente com água.

Área livre
Para que nenhum acidente aconteça durante o espetáculo, é preciso dar uma geral no palco. Para ser mais direta: mesmo que o canal do reto esteja vazio, pode haver restos fecais. Não é preciso radicalizar encarando uma dieta líquida um dia antes de colocar suas intenções em prática. Mas é bom ficar de olho na sua alimentação quando pressentir que aquele será o grande dia. A comida leva 24 horas para percorrer todo o sistema digestivo, então dê preferência aos alimentos leves, ricos em fibras, e beba bastante água. Pegue leve nos laticínios, carnes e embutidos, pois eles prendem o intestino. “É possível fazer uma limpeza no local, como uma lavagem”, explica o proctologista Rubens Barreto. O procedimento pode ser feito em casa, fazendo um jato de água com uma seringa, sentada no vaso sanitário. Assim, se tiver alguma coisa para sair, você estará a postos no local certo. Os médicos não recomendam o uso de chuveirinho, como prega a crença popular, porque o jato tem muita pressão e pode causar um desarranjo. Algumas experts indicam o supositório de glicerina, 1 ou 2 horas antes de ir para a cama, que ajuda a limpar qualquer resquício de fezes.

Saia dos boxes
Preliminares aqui não são necessárias, são obrigatórias. É o tempo que você vai precisar para relaxar não só o corpo mas também essa cabecinha cheia de caraminholas. Não adianta ficar encucada durante o rala e rola com medos e grilos, senão seu corpo trava e não passa nem fio dental. Aí, adeus, prazer. Esquente o clima com muitas, mas muuuitas preliminares. Peça mesmo para o seu amado caprichar nas carícias e beijos molhados na sua zona baixa. É claro que ele não pode — jamais — se esquecer do seu bumbum: uma leve passadinha de língua no ponto zero, um carinho no períneo, movimentos circulares com os dedos enquanto faz um oral, até uma discreta penetração com a pontinha do dedo. Não precisa ficar intimidada nem com vergonha depois que a língua boba dele passar. Entregue-se completamente ao momento. Depois de tanta atenção, sua excitação ficará em ponto de bala e você prontinha para colocar o carrão na pista.
O grande momento
É preciso iniciação antes da penetração total do pênis. “O sexo anal requer aprendizado, não se pode ir para o tudo ou nada”, diz a ginecologista Mariana Maldonado. Ao contrário da vagina, que se dilata de acordo com a excitação, o ânus se contrai quando é estimulado. Peça ao seu parceiro que introduza, primeiro, metade de um dedo. Depois, o dedo inteiro; em seguida, metade de dois dedos; e só então os dois dedos inteiros. Vocês também podem recorrer a um vibrador de tamanho pequeno, que depois passa para o papel de estimulador clitoriano.

Pronta para mais? Pegue um novo preservativo e o lubrificante. Espalhe pela entrada do ânus, caprichando ainda mais no pênis. Jamais use saliva, pois ela resseca a região e causa ainda mais atrito. Anestésico, nem pensar! Você pode ficar imune à dor. Ao mesmo tempo, a sensibilidade sua e a dele vão para o espaço.

Ao encostar a cabeça do pênis no ânus, espere que ele faça a contração involuntária. Em seguida, ele irá relaxar, e essa é a hora ideal de acontecer a penetração. Insira apenas a cabeça do pênis, sem movimentos de entra e sai. Só assim estará pronta para o pênis inteiro, mas ele precisa ficar imóvel. Quando achar que chegou o momento, faça você o movimento de tira e põe. Dite o ritmo, a profundidade e exploda de prazer. Sensacional!
 Está em dúvida de qual é a melhor posição? A sexóloga carla cecarello dá dicas de como variar seu repertório de acordo com a profundidade que quer atingir:

Conchinha
Deitada de ladinho, curve bem o troco para a frente, deixando o bumbum bem empinado. Dê as coordenadas ao seu parceiro sobre o alvo. Quando estiverem encaixados, se aconchegue no peito dele num abraço bem apertado. É possível que ele acaricie seu clitóris enquanto você capricha num rebolado.

Papai e mamãe
A posição mais tradicional da cama deixa o ânus bem relaxado, o que torna a penetração mais fácil. Dessa forma, beijos e olhares aquecem ainda mais a intimidade. Você pode dar um plus na posição apoiando seus pés sobre os ombros dele, permitindo que ele vá mais fundo.

Quatro apoios
Essa é a mais indicada para as iniciadas, pois requer bastante desinibição. Com você de quatro, quem fica no controle da situação é seu parceiro. Coloque as mãos dele sobre seus quadris e diga até onde ele pode ir. Um agrado no clitóris e seios é possível, desde que ele esteja bem apoiado ou de pé.

Sentada
Peça para o parceiro sentar nos próprios calcanhares. Apoiada sobre seus joelhos, sente-se de costas para ele e faça a pressão necessária para conseguir penetrar. Nessa posição, quem fica no controle de ritmo e profundidade da penetração é você. Como as mãos dele estão livres, é bom para receber carícias no clitóris, nos seios e nas costas.

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