Cinderela não sabe que é princesa. É uma faxineira americana que tem um caso com o príncipe, engravida dele e vira mãe solteira. Chapeuzinho Vermelho é uma jovem periguete. Branca de Neve ganha a vida como professora de uma escola primária e é acusada de homicídio. A madrasta dela, a Rainha Má, é a prefeita da cidade e a única que sabe a verdadeira origem dos habitantes – saídos dos contos de fadas. Esse é o enredo da nova série Once Upon a Time (Era uma vez), no canal Sony, que estreou por aqui em abril. A ideia por trás do programa de televisão é atualizar as tramas que encantaram gerações. O primeiro passo dado pelos roteiristas para transformar essas fábulas foi criar conflitos e desfazer o mito de que os príncipes e princesas serão felizes – principalmente, felizes para sempre.
A ficção já caiu na real, mas muitos casais de verdade deste século 21 ainda não absorveram que a felicidade absoluta dentro de uma relação não existe. O que existe é o amor, motivo pelo qual escolhemos permanecer com nosso parceiro, apesar das dificuldades que surgem ao longo da vida a dois. É por causa desse sentimento que deixamos o individualismo de lado, conjugamos os verbos na primeira pessoa do plural e planejamos um futuro que contemple os sonhos das duas partes do casal – tudo em nome da longevidade da relação.
A diferença é que a duração de um relacionamento hoje é muito maior do que na época em que o “felizes para sempre” virou, além de mote dos contos de fadas, um ideal perseguido pelos indivíduos. A expectativa de vida na Europa, no século 19, girava em torno dos 40 anos. Hoje um brasileiro vive, em média, 74 anos. Entrevistamos quatro casais de diferentes idades e estilos de vida que se dizem felizes e contam o que fazem para superar as crises e como a relação pode sair fortalecida delas. Essas bonitas – e realistas histórias de amor – comprovam que, quanto mais duradoura é uma relação, maior a probabilidade de o casal passar por momentos de desencontro no decorrer da união. E vão além. Mostram como esses desencontros são também o motor que, muitas vezes, leva o casamento para a frente. Nem sempre uma parte deseja a outra da mesma forma, com a mesma intensidade e ao mesmo tempo. “Não existe equilíbrio total em um relacionamento. A assimetria é importante para que um estimule o outro nos momentos de fraqueza”, diz Luiz Cuschnir, psiquiatra e psicopedagogo, de São Paulo.
Ele também afirma que a tolerância e a flexibilidade são fundamentais para que o vínculo entre os parceiros se mantenha forte e saudável. Na vida a dois, às vezes temos de rever conceitos, objetivos, planos e valores incompatíveis com os do companheiro para permanecermos durante um longo período ao lado dele. As negociações vão desde o bairro onde o casal pretende morar, como ocorreu com os recém-casados Suelen e Rodrigo, ao destino das férias, como contam as namoradas Eliana e Paula. Passam também por escolhas mais sérias, como ter filhos ou não, dilema de Neyde e Otto, que comemoraram bodas de ouro em março deste ano, e superar uma crise profissional, como Beatriz e Fernando (leia a seguir a história dos quatro casais).
Para a psicanalista gaúcha Diana Corso, estudiosa dos contos de fadas e coautora do livroFadas no Divã (Artmed), há mais um ponto a ser levado em consideração ao investir em um amor. O sucesso de uma relação depende também de pequenos investimentos emocionais constantes. “A partida nunca está ganha”, afirma. Mas ela alerta para o fato de que o casamento, hoje, quase sempre é encarado como um antídoto contra a solidão, substituindo a vontade real de ficar junto. “Se estamos com a autoestima baixa, passamos a depender do desejo do outro para nos sentirmos bem. Acreditamos que só somos bacanas se formos desejados”, explica. Por isso, pensar na felicidade “só por hoje” parecer ser a aposta mais confiável para ter um relacionamento forte – e duradouro
Companheirismo
Neyde, 78 anos, e Otto Helfer, 75
O ano era 1957. Neyde trabalhava na tesouraria do Centro do Professorado Paulista, em São Paulo. Otto era do setor administrativo. Os dois se conheceram nos corredores do escritório, se apaixonaram e, cinco anos mais tarde, estavam casados. Juntaram dinheiro e compraram o próprio apartamento para acomodar os filhos que viriam. Quatro anos se passaram e Neyde não conseguia engravidar, o que a deixava desesperada e ansiosa. “Todo mês, quando vinha a menstruação, era uma crise de choro”, conta Otto. O casal se submeteu a diversos tratamentos, mas nenhum parecia surtir efeito. Depois de muitas tentativas, veio do marido o pedido para que ela desistisse dos métodos que a deixavam exaurida. “Foi o Ottinho que teve a sensibilidade de retirarmos de nós mesmos a pressão de ter filhos. Quando parei de pensar só nisso, veio o bebê”, diz Neyde. Marcelo, o primogênito, foi recebido com muita festa em março de 1966.
A alegria durou até Otto pedir à esposa que abandonasse o emprego para ficar em casa e criar o filho. Ela, que se considerava uma mulher independente para a época, acatou o desejo do marido, mas sofreu com a decisão. “Eu gostava da companhia das minhas colegas de trabalho, de sair de casa todos os dias. Senti saudade no começo, mas naquele tempo as mulheres ainda obedeciam aos maridos. Hoje, repito para nossas netas que elas nunca devem parar de trabalhar.” Apesar da insatisfação naquele momento, ela diz que não se arrepende do rumo que tomou: “Meus filhos são bastante próximos da gente e tenho uma família unida”. E Otto ainda acredita que não havia outro caminho para a esposa.
Após um ano, Neyde descobriu que estava grávida novamente. Sofreu um aborto espontâneo três meses depois. “Foi um susto. Não esperava que aquilo fosse acontecer. Não fiz nenhum grande esforço, como na primeira gestação”, conta. Otto não se abalou com a ideia de não conseguir aumentar a família, um sonho do casal. Religioso, pensava que as coisas aconteceriam segundo a vontade de Deus e que eles deviam apenas acatá-la. A dor de Neyde só foi embora quando nasceu saudável o segundo bebê, Marco Antonio, dois anos mais tarde. O casal passou a dedicar-se inteiramente aos filhos. “Eu era gerente de uma multinacional e ganhava muito bem, mas deixava de viajar ou de adquirir carro novo para pagar um bom colégio e comprar coisas para as crianças”, afirma Otto.
Com a vida financeira estabilizada, Otto se inscreveu no curso de administração de empresas. Alguns anos depois, em 1977, com o diploma em mãos, investiu em uma fábrica de móveis para escritório. “Cuidava de 66 funcionários. Por causa dos frequentes aumentos de salário e da delicada situação política do país, os negócios ficaram difíceis”, conta ele. Cansado e sem dinheiro, vendeu a fábrica. “Foi uma luta. Empenhamos uma parte do nosso patrimônio para acertar as dívidas. Em casa, apertei o orçamento”, lembra Neyde. “Nesse momento tenso, a confiança que o meu bem tinha em mim foi muito importante para me recuperar. Ela sempre dizia que tudo ia dar certo”, revela Otto.
A retomada veio após alguns meses. O empresário comprou uma loja de móveis para escritório, que prosperou. Com os filhos crescidos, Neyde retomou o velho sonho de voltar ao trabalho e hoje é voluntária em instituições de caridade. Aos 78 anos, ela dá aulas para crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais. “O casamento, que completou 50 anos em março, foi construído com muita paciência”, afirma Neyde. Segundo ela, divórcio nunca foi uma opção real, mas admite que o casal tem brigas frequentes e que, quando está nervosa, ela ameaça ir embora de casa ou nunca mais falar com o marido. Depois de algumas horas, tudo volta ao normal. “Para mim, o momento que define o sucesso de uma relação é quando o padre anuncia na igreja ‘juntos na alegria ou na tristeza, na saúde e na doença’, pois existe uma promessa a ser mantida. Todo casal discute, mas o importante é não perder o respeito pela companheira nesses momentos de stress. Acredito que duas coisas são fundamentais: cultivar o carinho e estar preparado para ceder”, diz Otto. Aos 75 anos e aposentado, ele monitora o diabetes, que descobriu há dez anos. Só abre exceções para o bolo de banana e o pão de mel preparados pela esposa, que ele considera exímia cozinheira.
Cumplicidade
Eliana natividade, 32 anos, e Paula Tesch, 38
Elas se conheceram pela internet. Eliana, carioca, é uma conhecida escritora do mundo virtual. Do Rio de Janeiro, onde morava, ela publicava contos e romances sobre amores entre mulheres em um site sob o pseudônimo de Karina Dias. A médica Paula, capixaba, se encantou por Karina: “Gostava da maneira como ela respondia aos comentários das internautas, achava a Karina muito atenciosa. Me apaixonei por ela antes mesmo de saber seu verdadeiro nome”. A conversa virtual entre as duas começou em 2008, quando a escritora pegou uma pneumonia. “Escrevi para agradecer a ela as histórias que dividia com a gente e para oferecer ajuda no tratamento”, diz Paula, que trabalha na UTI de um hospital em São Paulo. Eliana agradeceu e passou a seguir as orientações da nova amiga por email. As conversas evoluíram para telefonemas e mensagens de texto. Paula, que era virgem e ainda não tinha assumido a homossexualidade, se viu apaixonada por Eliana, que morava com uma parceira havia dez anos. “Numa falha de envio de mensagens, ficamos alguns dias sem nos falar e escrevi para ela me declarando”, conta a médica.
A escritora relutou por alguns dias em assumir que também estava apaixonada por Paula; dizia que a médica estava confundindo os sentimentos. Para provar o que sentia, Paula voou até o Rio de Janeiro. “Foi uma explosão quando nos encontramos. Acabamos no motel no mesmo dia”, afirma Eliana, que não só decidiu se separar como mudou para São Paulo para viver, segundo ela, o grande amor da sua vida. “O que eu sentia era tão forte que abrir mão de tudo não foi um sacrifício”, diz ela. Dois meses depois, as duas estavam morando juntas no apartamento de Paula, em São Paulo. Foi a hora, então, de a médica contar para a família e os amigos que estava envolvida com uma mulher. “Falei primeiro com as amigas mais próximas, que foram supercompreensivas. Para minha família, religiosa, essa é uma questão até hoje. Mas, por estarmos sempre juntas, eles tiveram de passar por cima dos preconceitos”, afirma Paula.
A simbiose entre as duas mulheres foi tanta que elas adotaram os hábitos uma da outra no início do relacionamento. Eliana, que nunca gostou de saladas, por exemplo, passou a jantar alface todos os dias. “Tinha vergonha de dizer que eu preferia um bife”, conta, rindo. Durante quatro meses, acompanhou Paula na saladinha até o dia em que explodiu. Num acesso de raiva, afirmou que detestava aquela comida. Aos poucos, e com muitas conversas, as duas foram encontrando maneiras de preservar a individualidade. Hoje, garantem saber o momento em que é importante deixar as próprias vontades de lado para beneficiar a parceira. Paula adora praia, mas Eliana detesta. Elas dividem as férias e passam 15 dias na montanha e os outros 15 no litoral.
Mesmo com tanta conversa, as brigas fazem parte da rotina do casal. Paula conta que, na última delas, foi agressiva com uma conhecida da namorada. “Eu estava exausta, saindo de um plantão longo no hospital, mas mesmo assim quis ir ao lançamento do livro da Eliana. Quando chegamos à livraria, antes de o evento começar, a editora dela fez uma piadinha. Como sempre nos atrasamos, ela brincou com o fato de estarmos adiantadas. Dei uma resposta atravessada, o que deixou a Eliana furiosa. Acho que no fundo eu queria atingi-la, como se ela fosse culpada pelo meu esforço. Fomos dormir sem nos falar. No dia seguinte, pedi desculpas. Talvez, se eu tivesse respeitado meu corpo – e minha vontade –, a briga não teria acontecido”, considera Paula.
Hoje, as duas enfrentam outro desafio: a mãe de Paula está com câncer. “Não tem como dar a mesma atenção para o relacionamento em um momento de stress como esse. Como sou médica, sei de todas as implicações dessa doença. Até nossa vida sexual mudou. A Eliana está sendo muito companheira e compreensiva”, afirma Paula. “É uma fase; a mãe dela vai melhorar. Sabemos que essa tensão vai passar”, acredita a escritora. Também planejam ser mães. “Esse é o sonho de toda mulher”, afirma Eliana.
Maturidade
Beatriz Dutra, 54 anos, e Fernando da Silveira, 49
Beatriz tinha 43 anos quando se divorciou do primeiro marido, depois de 24 anos de casamento. “Foi um choque enorme para mim. Ele tinha sido meu único namorado, era meu sócio nos negócios, as vidas eram totalmente entrelaçadas”, diz. O filho, André, então com 10 anos, não encarou bem a separação. “Ele ficou com medo de ser abandonado e ligava 20 vezes por dia perguntando onde eu estava e se voltaria para casa”, lembra Beatriz. Onze meses depois, foi apresentada por um amigo a Fernando. Aos 39 anos, separado fazia quatro, ele se apaixonou por Beatriz. Seu primeiro casamento tinha durado dez anos. Ele e a ex-mulher começaram a namorar cedo, aos 19 anos; Rafael, o único filho do casal, veio cinco anos depois. “Éramos imaturos, não sabíamos administrar a relação”, explica ele. Após o rompimento, Fernando frequentou bares, baladas e namorou por quatro anos; estava cansado da vida de solteiro.
Um mês depois do primeiro encontro, assumiram o namoro firme. O primeiro grande impasse que o casal enfrentou foram os horários de trabalho diferentes. Fernando era dono de uma loja de automóveis, que, portanto, funcionava em horário comercial. Beatriz tinha um escritório de arquitetura e design de interiores e estava acostumada a ficar em reuniões até 11 horas da noite. Ele cobrava mais atenção. Dizia que ela devia passar mais tempo com os filhos – o dele e o dela. Apesar de gostar da independência de Beatriz e admirá-la por ser bem-sucedida, Fernando tinha como referência o estilo de vida da ex-mulher, dona de casa. “Discutimos muito, mas percebi que ficar pouco tempo com a família me fazia mal. Vi que não precisava voltar tão tarde do escritório e que podia aproveitar melhor meu tempo”, diz Beatriz.
Em 2005, a loja de Fernando entrou em crise e foi vendida. Ele, então, abriu uma mecânica, que também não prosperou. Beatriz sugeriu que o marido fosse trabalhar com ela. “Ele cuida da parte administrativa e das obras, e eu das reuniões com clientes e da criação de projetos”, explica ela. O que parecia uma solução virou uma questão na vida do casal. “Não podemos negar que o fato de trabalharmos juntos desgasta nossa relação. Talvez seja o motivo que mais causa brigas entre nós. Não conseguimos deixar os problemas no escritório e trazemos alguma diferença para casa”, afirma Fernando, que planeja ter um negócio próprio.
Outro desafio foi a reação dos filhos ao namoro dos pais. Nos primeiros seis meses, André, filho de Beatriz, estava feliz com a ideia de ter um novo irmão, ainda que não morassem na mesma casa. Mas, na prática, foi ficando enciumado, infeliz e manifestava seu desgosto desautorizando as ordens da mãe. “Foram quatro anos de brigas intensas e sofrimento. Quando o André completou 16 anos, foi para a Austrália fazer intercâmbio. Com a distância, ele amadureceu”, conta a mãe. Na volta da viagem, em um jantar com a mãe e o padrasto, pediu desculpas pelas birras do passado. Beatriz diz que não existem mais atritos entre o filho e Fernando.
Para garantir a saúde do casamento, que já completou uma década, o casal criou algumas regras. A primeira delas é que um não dá pitaco na educação do filho do outro. Os dois também acreditam que as brigas trazem uma renovação. “Evitamos a monotonia e a imposição da opinião exclusiva de uma das partes. Quando temos que tomar uma decisão, discutimos todos os lados para chegar a um meio-termo”, diz ela.
Negociação
Suelen Figueiredo, 26 anos, e Rodrigo Paim, 31 anos
Suelen e Rodrigo se conheceram há oito anos. Foi em uma balada no Guarujá, litoral de São Paulo. Ficaram naquela mesma noite e nos dias que se seguiram também. Em um mês, os dois engataram o namoro. Com 17 anos, ela acabara de ser aprovada numa faculdade de arquitetura. Ele, aos 22, havia desistido do curso de direito no último semestre e estava prestando vestibular para publicidade. O começo da relação foi tempestuoso. “Suelen tinha crises de ciúme absurdas. Ficava todos os dias fuçando as minhas redes sociais e me ligava para tirar satisfação”, conta ele. A reação da namorada fez Rodrigo desistir de páginas pessoais no Orkut, da conta do MSN e até do número de telefone. “Meninas que ele conhecia da época de solteiro ainda ligavam, e eu me sentia mal”, explica Suelen. Durante uma das brigas, Rodrigo deixou o trabalho no meio do dia e foi para a casa da namorada, pronto para terminar a relação. Na hora, recuou, mas deu um ultimato: a situação precisava melhorar. Ela recorreu a terapia e, com o tempo, o namoro foi ficando mais tranquilo, mas Rodrigo nunca mais voltou para o mundo online.
Quando completaram quatro anos de namoro, Suelen pediu um tempo. Chegou a se interessar por outra pessoa, mas não quis conhecer o rapaz mais a fundo. Enquanto isso, Rodrigo ligava, convidava-a para jantar, ir ao cinema. “Queria mostrar a ela que deveríamos nos dar outra chance”, conta. Vinte dias depois, reataram. “Voltei para ele ainda mais apaixonada, sabendo do valor da nossa relação. Percebi que sempre vão existir brigas, com ele ou com outro. O importante é o saldo positivo, o companheirismo.”
Nessa época, Suelen começou a pensar em casamento. Para ela, os dois deviam planejar a festa e procurar um apartamento. Rodrigo discordava da namorada. Recém-formado, ele queria mais tempo para juntar dinheiro e garantir a estabilidade do casal. Ela aceitou esperar. Dois anos depois, finalmente resolveram se casar. Ela investiu na busca por um apartamento na Zona Norte de São Paulo. Rodrigo queria morar no mesmo bairro onde cresceu. Suelen acatou o pedido dele.
A festa aconteceu em novembro de 2011 e o casal foi passar a lua de mel na Europa. De volta ao Brasil, a realidade da vida a dois sob o mesmo teto surpreendeu os dois. O primeiro conflito se deu por causa dos animais de estimação dela. “Suelen tinha dez cachorros, de vários tamanhos, na casa da mãe. Eu disse que, na nossa casa, queria apenas um pequeno. No final, ela levou dois yorkshires e eu aceitei”, conta Rodrigo. O casal acredita que a negociação constante é a chave de uma relação feliz ou minimamente harmônica. “Casamento não é fácil, pois exige humildade. É preciso relevar muitas coisas para construir uma vida conjunta. Nos momentos mais delicados, às vezes as pessoas acham que terminar a relação e começar outra é uma ótima solução. Mas penso que todos os relacionamentos são complicados. Se existe amor e a vontade de continuar junto, deve-se aceitar o outro como ele é e superar a ânsia de estar sempre com a razão”, afirma Suelen. Atualmente, ela anda pensando em acrescentar um novo bichinho à prole do casal. Rodrigo não quer mais um pet, prefere um bebê. Para ela, ainda não está na hora. E eles sabem que alguém vai ter de ceder.
Fallen Princesses
Ao ler os contos de fadas nos textos originais, a fotógrafa canadense Dina Goldstein se deu conta de que parte dos enredos, muitas vezes sombrios e obscuros, foi adaptado pela Disney. Na tentativa de desconstruir o lema “felizes para sempre” dessas fábulas, ela fotografou as “princesas” em situações que as mulheres de hoje enfrentam no dia a dia. Na imagem que abre esta reportagem, Branca de Neve aparece com uma expressão de mau humor, rodeada pelos filhos, enquanto o príncipe, preguiçoso e desempregado, assiste a um jogo na televisão – simbolizando quanto andamos sobrecarregadas. As demais fotografias do projeto Fallen Princesses (fallenprincesses.com), igualmente tragicômicas, retratam outros aspectos da vida da mulher contemporânea. Cinderela, por exemplo, é alcoólatra e aparece sozinha, deprimida, bebendo em um bar. A Bela (de A Bela e a Fera) se submete a uma plástica no rosto para amenizar os impactos do envelhecimento. Para conferir mais imagens, visite o site da fotógrafa.
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